sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobre a culpa

Sobre a culpa, para C. T.
Te escrevo pra dizer que minha dor não tem nada a ver com você.
Tem a ver com o altar em que te coloquei com a esperança de que me guiaste pelo caminho do amor. Nada pedi em troca.
Cedi, concedi, me machuquei.
Hoje são só feridas regadas á cinzas de cigarros.
Cada passo que dei foi seguindo tuas pegadas, não sei o caminho de volta, fui estúpido. Acreditar em contos de fadas e romances da TV, nos faz criarmos a pessoa perfeita e aguardamos fielmente a primeira atração, a primeira dedicação e o presenteamos com o figurino de nossos personagens. Ele não serve.
Rasgamos, remendamos, apertamos, soltamos. Nada fica em seu devido lugar.
Nos transformamos.
Hoje sou aquilo que você criou, cada movimento. Como um leão de circo adestrado á traumas.
Cheguei naquela encruzilhada em que você já passou. Estou sozinho, meu crânio dói.
A dor vem vindo em contrações, afrequência entre elas é cada vez maior. Isso me assusta.
Cravejado de feridas, sinto que não devia estar ali, mas meu coração ansioso por sei lá o que quer se decidir.
Então vamos.
Escolho seguir por ali, sentindo um alívio prévio e todas as malditas contrações.
Está na hora de partir, percebi. Quase ouvi um clique metálico indicando o fim.
Estancar esse sangramento, me livrar dessas entranhas, te dar paz. Baixar o tempo correr e sentir o vento criar uma casca grossa sobre toda essa carne vermelha escarlate.
Aqui tudo se purifica. De tempos em tempos vou expelindo a saudade, crua, doída.
Pronto, passou o frio, já escuto as boas novas. É tempo de renovação.
Se anular, nunca mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Por ai...



E de tanto pensar nos tropeços da vida, tudo acabou se tornando um emaranhado de medos e anseios, que me impediam até mesmo de ir até a padaria da esquina sem que eu sentisse tais calafrios. O amor agora me perseguia, mas dessa vez não o via mais como um rastro de luz, agora ele tinha o retrato da dor estampado em sua face, não trazia mais em suas costas a mochila carregada de esperança e felicidade, mas como um boêmio viajante, ele trazia consigo uma mala cheia de lembranças, fotos, fatos, historias e lagrimas. Os ingredientes essenciais para a plastinação de um coração, ele sabia exatamente quais eram.Assim como as figuras da mística pedra de Ingá, essas marcas foram talhadas detalhe a detalhe, como as feitas pelos gestos precisos e certeiros de um artesão em busca da perfeita obra prima. Essas marcas um dia... Talvez... Quem sabe..., poderão ser esquecidas e deixadas para trás pelo trabalho minucioso do tempo, porém o esquecimento não será capaz de refazer os caminhos removendo os tropeços de cada passo, o tempo é só o remédio ele não faz com que elas deixem de existir.