quinta-feira, 25 de julho de 2013

...


Eu parei de viver o “um dia”, eu vivo o hoje, com pressa, quero tudo pra logo, agora, antes que seja tarde. O tempo é curto, o bonde passa, a linha avança, o sinal fecha. Eu tenho pressa pai, eu tenho pressa mãe! Não há como impedir que o caminho seja seguido, mesmo sendo o certo, mesmo sendo o errado, afinal as escolhas são feitas, e a todas elas a conseqüência acompanha segurando-me firme pela mão.
Abre-se mão de coisa ou outra, mas é essa a graça de nos arriscarmos na corda bamba até o dia em que não será mais necessário se equilibrar para vencê-la. Se as escolhas serão felizes ou infelizes não é possível prever, mas necessitamos sentir, necessitamos arriscar, é preciso saber/ver, jogar todas as nossas fichas, lanças todas as cartas na mesa, e por fim, se preciso for, e se ela ainda estiver lá, sacar a ultima carta da manga, ou então, arregace as mangas e encaminhe-se ao encontro das próximas surpresas do acaso pelos caminhos verdejantes de colinas e planícies, que seguem, que seguem...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Roda gigante!



Tudo ao seu redor girava e girava, ela estava numa grande roda gigante de um parque de diversões belíssimo. Tudo ao seu redor brilhava, as pessoas eram lindas e riam, riam, as luzes piscavam incansáveis, e eram milhares, uma de cada cor e todas belas. Os doces pareciam tão saborosos, os outros brinquedos tão divertidos, os algodões doces maiores do que os que ela já havia visto antes na vida, e as maçãs do amor mais vermelhas e reluzentes como a lua cheia que se instalava no céu daquela noite. Tudo aquilo lhe parecera tão longínquo que chegou a entristecer-se por alguns instantes, estava distante com seus pensamentos, até que ela olhou para o lado e enfim, sorriu...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É, talvez.


     
     Nada me soa mais impertinente do que um "talvez". Talvez amanhã, talvez um dia. O talvez me afasta das coisas, me engana, me tapa os olhos. Talvez o que? Talvez você ame alguém? Talvez um dia volte a ser como foi ha tempos atrás? Talvez um dia se transforme numa pessoa melhor, ou pior? Talvez? Mas talvez o quê?
    Deveras engajado nesse mundo de perseguições, onde seu pior inimigo não passa de você mesmo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Muito

Eu sempre quis muito
Mesmo que parecesse ser modesto
Juro que eu não presto
Eu sou muito louco, muito
Mas na sua presença
O meu desejo
Parece pequeno
Muito é muito pouco, muito
Broto você é muito, muito
Broto você é muito, muito
Eu nunca quis pouco
Falo de quantidade e intensidade
Bomba de hidrogênio
Luxo para todos, todos
Mas eu nunca pensei
Que houvesse tanto
Coração brilhando
No peito do mundo louco
Gata você é muito
Broto você é massa, massa

(Caetano Veloso)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E ponto.


Ali estava ele, onde as mãos não podiam alcançar, onde as palavras ja não mais queriam tocar, os gritos de lamento ja não eram mais suficientes para suportar a distancia que se impunha entre eles. Então eles partiram, com o coração metade em cada mão. Ali estavam eles, agora num lugar onde só o tempo podia tocar-lhes, num lugar onde a brisa batia em seus rostos e acariciava suavemente seus cabelos, esperando sentados em qualquer lugar, com a esperança vaga de que o tempo volte a passar por eles, deixando a bagagem esquecida a tempos atrás. Ali estava ele, onde os braços dela não mais conseguiam enlaçar-se por entre seu pescoço no embalo poético dos sábados ensolarados.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

What would you do?


Sim eu sei que fraquejo e ainda vou fraquejar milhares de vezes durante minha vida inteira, (a qual ainda não sei a duração se longa ou curta), mas de uma coisa eu sei, apenas quero que seja intensa e verdadeira. Intensa o suficiente pra me fazer sentir feliz, pra me fazer morrer de amor, morrer de ódio, morrer de dor e mesmo assim saber me reerguer seja lá em qual momento ou hora, tentando amparar-se nas paredes escorregadias do poço sem fundo que vamos cavando abaixo dos nossos pés dia após dia. E verdadeira, verdadeiramente sentimental, verdadeiramente intensa, e satisfeita em saber e principalmente sentir, sentir que teve o prazer e a coragem que muitas vezes lhe faltou, mas sempre foi suficiente para permitir que seu coração, apesar de não merecer, pudesse conhecer todos os sentimentos que o mundo pode proporcionar.
Eu sei, eu sei, eu sei de todas essas coisas, eu sei que muitas vezes antes de agir eu deveria trancar-me no quarto e colocar no volume máximo a primeira musica que minha melancolia momentânea conseguisse lembrar, me jogar desconcertada na cama e chorar, chorar até soluçar, chorar até afogar toda magoa acumulada, chorar até juntar todos os cacos, chorar até me sentir livre daquele peso que me assolava, chorar até lavar minha alma com um mar de lágrimas salgadas... e depois, quando elas já tiverem cessado, levantar-me, dar dois passos até a janela, afastar as cortinas com as mãos e permitir que a luz do dia invada meu cômodo predileto com o calor, com a luz e com a cor de um novo dia. Mas afinal qual outro modo sentir, senão se entregando as emoções?   

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Poema Antigo

Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair

Caio Fernando Abreu