quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Roda gigante!



Tudo ao seu redor girava e girava, ela estava numa grande roda gigante de um parque de diversões belíssimo. Tudo ao seu redor brilhava, as pessoas eram lindas e riam, riam, as luzes piscavam incansáveis, e eram milhares, uma de cada cor e todas belas. Os doces pareciam tão saborosos, os outros brinquedos tão divertidos, os algodões doces maiores do que os que ela já havia visto antes na vida, e as maçãs do amor mais vermelhas e reluzentes como a lua cheia que se instalava no céu daquela noite. Tudo aquilo lhe parecera tão longínquo que chegou a entristecer-se por alguns instantes, estava distante com seus pensamentos, até que ela olhou para o lado e enfim, sorriu...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

É, talvez.


     
     Nada me soa mais impertinente do que um "talvez". Talvez amanhã, talvez um dia. O talvez me afasta das coisas, me engana, me tapa os olhos. Talvez o que? Talvez você ame alguém? Talvez um dia volte a ser como foi ha tempos atrás? Talvez um dia se transforme numa pessoa melhor, ou pior? Talvez? Mas talvez o quê?
    Deveras engajado nesse mundo de perseguições, onde seu pior inimigo não passa de você mesmo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Muito

Eu sempre quis muito
Mesmo que parecesse ser modesto
Juro que eu não presto
Eu sou muito louco, muito
Mas na sua presença
O meu desejo
Parece pequeno
Muito é muito pouco, muito
Broto você é muito, muito
Broto você é muito, muito
Eu nunca quis pouco
Falo de quantidade e intensidade
Bomba de hidrogênio
Luxo para todos, todos
Mas eu nunca pensei
Que houvesse tanto
Coração brilhando
No peito do mundo louco
Gata você é muito
Broto você é massa, massa

(Caetano Veloso)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

E ponto.


Ali estava ele, onde as mãos não podiam alcançar, onde as palavras ja não mais queriam tocar, os gritos de lamento ja não eram mais suficientes para suportar a distancia que se impunha entre eles. Então eles partiram, com o coração metade em cada mão. Ali estavam eles, agora num lugar onde só o tempo podia tocar-lhes, num lugar onde a brisa batia em seus rostos e acariciava suavemente seus cabelos, esperando sentados em qualquer lugar, com a esperança vaga de que o tempo volte a passar por eles, deixando a bagagem esquecida a tempos atrás. Ali estava ele, onde os braços dela não mais conseguiam enlaçar-se por entre seu pescoço no embalo poético dos sábados ensolarados.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

What would you do?


Sim eu sei que fraquejo e ainda vou fraquejar milhares de vezes durante minha vida inteira, (a qual ainda não sei a duração se longa ou curta), mas de uma coisa eu sei, apenas quero que seja intensa e verdadeira. Intensa o suficiente pra me fazer sentir feliz, pra me fazer morrer de amor, morrer de ódio, morrer de dor e mesmo assim saber me reerguer seja lá em qual momento ou hora, tentando amparar-se nas paredes escorregadias do poço sem fundo que vamos cavando abaixo dos nossos pés dia após dia. E verdadeira, verdadeiramente sentimental, verdadeiramente intensa, e satisfeita em saber e principalmente sentir, sentir que teve o prazer e a coragem que muitas vezes lhe faltou, mas sempre foi suficiente para permitir que seu coração, apesar de não merecer, pudesse conhecer todos os sentimentos que o mundo pode proporcionar.
Eu sei, eu sei, eu sei de todas essas coisas, eu sei que muitas vezes antes de agir eu deveria trancar-me no quarto e colocar no volume máximo a primeira musica que minha melancolia momentânea conseguisse lembrar, me jogar desconcertada na cama e chorar, chorar até soluçar, chorar até afogar toda magoa acumulada, chorar até juntar todos os cacos, chorar até me sentir livre daquele peso que me assolava, chorar até lavar minha alma com um mar de lágrimas salgadas... e depois, quando elas já tiverem cessado, levantar-me, dar dois passos até a janela, afastar as cortinas com as mãos e permitir que a luz do dia invada meu cômodo predileto com o calor, com a luz e com a cor de um novo dia. Mas afinal qual outro modo sentir, senão se entregando as emoções?   

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Poema Antigo

Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 13 de julho de 2011

e no fim.

Talvez eu devesse relembrar com mais freqüência o conteúdo dos meus juramentos após cada decepção que tive. Se minha memória colaborasse ela me mostraria um caminho alternativo, diferente daqueles que já trilhei. Mas sempre sigo o mesmo rumo, sempre escolho o mesmo lado, o da esquerda. Mesmo quando existe a opção para o outro lado...eu sempre penso que pode ser diferente, que teremos a chance de escolher um final diferente...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobre a culpa

Sobre a culpa, para C. T.
Te escrevo pra dizer que minha dor não tem nada a ver com você.
Tem a ver com o altar em que te coloquei com a esperança de que me guiaste pelo caminho do amor. Nada pedi em troca.
Cedi, concedi, me machuquei.
Hoje são só feridas regadas á cinzas de cigarros.
Cada passo que dei foi seguindo tuas pegadas, não sei o caminho de volta, fui estúpido. Acreditar em contos de fadas e romances da TV, nos faz criarmos a pessoa perfeita e aguardamos fielmente a primeira atração, a primeira dedicação e o presenteamos com o figurino de nossos personagens. Ele não serve.
Rasgamos, remendamos, apertamos, soltamos. Nada fica em seu devido lugar.
Nos transformamos.
Hoje sou aquilo que você criou, cada movimento. Como um leão de circo adestrado á traumas.
Cheguei naquela encruzilhada em que você já passou. Estou sozinho, meu crânio dói.
A dor vem vindo em contrações, afrequência entre elas é cada vez maior. Isso me assusta.
Cravejado de feridas, sinto que não devia estar ali, mas meu coração ansioso por sei lá o que quer se decidir.
Então vamos.
Escolho seguir por ali, sentindo um alívio prévio e todas as malditas contrações.
Está na hora de partir, percebi. Quase ouvi um clique metálico indicando o fim.
Estancar esse sangramento, me livrar dessas entranhas, te dar paz. Baixar o tempo correr e sentir o vento criar uma casca grossa sobre toda essa carne vermelha escarlate.
Aqui tudo se purifica. De tempos em tempos vou expelindo a saudade, crua, doída.
Pronto, passou o frio, já escuto as boas novas. É tempo de renovação.
Se anular, nunca mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Por ai...



E de tanto pensar nos tropeços da vida, tudo acabou se tornando um emaranhado de medos e anseios, que me impediam até mesmo de ir até a padaria da esquina sem que eu sentisse tais calafrios. O amor agora me perseguia, mas dessa vez não o via mais como um rastro de luz, agora ele tinha o retrato da dor estampado em sua face, não trazia mais em suas costas a mochila carregada de esperança e felicidade, mas como um boêmio viajante, ele trazia consigo uma mala cheia de lembranças, fotos, fatos, historias e lagrimas. Os ingredientes essenciais para a plastinação de um coração, ele sabia exatamente quais eram.Assim como as figuras da mística pedra de Ingá, essas marcas foram talhadas detalhe a detalhe, como as feitas pelos gestos precisos e certeiros de um artesão em busca da perfeita obra prima. Essas marcas um dia... Talvez... Quem sabe..., poderão ser esquecidas e deixadas para trás pelo trabalho minucioso do tempo, porém o esquecimento não será capaz de refazer os caminhos removendo os tropeços de cada passo, o tempo é só o remédio ele não faz com que elas deixem de existir.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

is dead*




Andei sumida, andei vaga, ainda por aí. Tanto tempo já passou e eu, eu continuo a mesma, volta e meia vejo-me suplicando por uma mão para agarrar-me, volta e meia deparo-me ao no nada. Eu tentei, tentei alongar meu dia em 32hrs, meu sono em 3hrs e minha vida...  Bom, minha vida em 40 anos, eu vivi, eu vivia, eu morri, estou morta e nesse exato momento o que consigo enxergar são apenas robôs, arremessando sorrisos, vivendo de acordo com o que a boa vizinhança diz: “ser civilizado”; Não sou feita de sorrisos, eles são arremessados de todos os lados contra mim, os vejo a me atingir, desvio, fujo, cubro-me, mas muitos prendem-se às minhas roupas, como velcro. Ao meu redor vejo gente admirando todos esses sorrisos, sem, ao menos, ver que minha boca não estampa dente algum. São todos meus? São todos sinceros? Há motivo suficiente neles? Eu sou não sou desse lugar, não sou.
Tu sabes que levanta de manhã com a sensação que seu dia seu dia será o mesmo do anterior, tu vais dormir com a certeza que teu dia foi igual ao anterior, o que tu fazes de diferente é sonhar, esperar que aconteças tudo diferente, que finalmente tu “abra os olhos”. A gente inventa problemas, quando eles não existem, é o que dói mais, dói mais ser feita de sorrisos do que de lágrimas.
Eu, bem realmente eu cansei re suplicar porque por vezes vi um ou outro reclamando disso e daquilo, reclamando do quente e do frio, reclamando do dia, da noite, cansei de ver pessoas procurando solução pra tudo quando sabe  Aliás que não existe solução pra nada. Não existe nada, quem sabe somos o tudo, ou mesmo o nada.
Estou sempre a procurar respostas, mesmo sabendo que cada nova resolução acaba gerando uma pergunta ainda mais difícil de responder. Eu só queria desligar o meu radar, por uns dias.
É, acho que tá começando a ficar difícil. Passei de fase.

Realmente o que eu preciso é dormir mais que 4hrs, pensar menos que 24hrs e desligar os telefones.


Abraços a todos,  Maiara Adler. (http://xicarra.wordpress.com @maihadler)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Certa vez...

Um amigo me disse:

Você pode tudo, ja é maior de idade e usa calças com bolsos, mas você só pode ter oque "você" quiser…


O tempo passa, as pessoas passam, mas tem coisas que eu nunca esqueço!

terça-feira, 10 de maio de 2011

o ar.

ah, se voce pudesse sentir
como é não conseguir dormir sem ouvir a tua voz cansada
voce devia estar aqui pra ver
aqui nao pára de chover desde que você voltou pra casa
se meu lar for onde houver tua respiração
vou morar na tua voz
ao menos até o final dessa canção
no teu coração
ah, será que você vai lembrar
onde é que você vai guardar o rascunho dessa história?
ou vai fazer fogueira pra queimar
e ver que não dá pra fechar a biblioteca da memória?
você já me conheceu o bastante pra saber
se eu sou ou não bom o bastante pra você
quando acordar
e o meu nome sussurar
eu posso te ouvir
e eu sinto como se nós
não estivéssemos a sós
você está aqui
eu sinto que eu posso estar
em qualquer lugar
eu sinto que eu sou
o ar